
O estudo, denominado O Perfil do Caminhoneiro Brasileiro, foi decisivo para iniciar as discussões sobre o Programa Na Mão Certa. Entre outras conclusões interessantes, ele deu números a um quadro que já se imaginava ocorrer nas rodovias brasileiras: cerca de 37% afirmaram ter feito programas com crianças e adolescentes e 67% disseram conhecer amigos de profissão que fizeram o mesmo (ver seção Pesquisa); os caminhoneiros não se vêem como abusadores, enxergam o problema como uma prática comum e o atribuem à miséria.
Com base no fato de que os caminhoneiros circulam em todos os elos da cadeia produtiva, integram um sistema que não os valoriza nem os reconhece, e são indivíduos pressionados por más condições de trabalho, sendo suscetíveis, portanto, à oferta de sexo barato, o Childhood Brasil estabeleceu como primeiro objetivo transformar esses profissionais em agentes de proteção de crianças e adolescentes em situação de risco social.
A partir de maio de 2005, o Childhood Brasil organizou grupos focais com a finalidade de analisar o quadro e definir grandes diretrizes para o programa até 2010. Nessa tarefa, envolveu 42 especialistas de organizações importantes, como Instituto Ethos, Abong, Fundação Getúlio Vargas (FGV), SEST-SENAT, Organização Internacional do Trabalho (OIT), Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI), entre outras. As conclusões principais foram, de que há muitas iniciativas voltadas ao tema, o fenômeno é permeado de uma dinâmica social complexa com vários públicos envolvidos e, que se faz necessário alinhar e articular, tanto as ações quanto os atores.
A partir dessa análise, foram apontados três grandes objetivos:
Dos encontros com esses grupos, nasceu o plano de ações 2006-2010 baseado nas seguintes macro-diretrizes:
