Desinformação, falta de cuidados com a saúde, pressão pelo prazo da carga e a falsa percepção de que drogas podem torná-lo mais produtivo. Esse coquetel de problemas fazem de muitos caminhoneiros usuários freqüentes dos chamados rebites. Isso não é nenhuma novidade. A novidade, trazida por novas pesquisas, é a de que a situação se agrava: o profissional da estrada que usava rebites está substituindo essa droga por cocaína e crack.
Exames clínicos realizados em setembro de 2009 pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo encontrou substâncias ilegais na urina de 6% dos 305 caminhoneiros examinados em estradas do Rio e São Paulo. Outra pesquisa, realizada em 2008 pelo Ministério Público do Trabalho e pela Polícia Rodoviária Federal constatou que três de cada dez caminhoneiros que trafegam pelo estado de Mato Grosso dirigem sob efeito de cocaína e outros estimulantes. O mesmo resultado foi encontrado em janeiro de 2009 no Espírito Santo, em pesquisa da PRF com 732 motoristas de caminhão.
Segundo os pesquisadores, os caminhoneiros declararam que o aumento da tolerância física e o crescente controle sobre a venda dos medicamentos usados como rebite são os principais fatores que levaram a migração para drogas mais pesadas.
O Brasil tem cerca de 2,5 milhões de caminhoneiros na ativa. Esse número dá uma idéia do tamanho do problema. Até o momento, não existem políticas públicas ou iniciativas da sociedade civil ou do setor produtivo para enfrentar o uso de drogas pelos caminhoneiros.