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CPI da Pedofilia começa a apurar denúncias de abuso em Catanduva

Representantes da Secretaria Especial dos Direitos Humanos e dos Ministérios da Saúde, Educação e do Desenvolvimento Social estiveram na terça-feira (10) em Catanduva, a 379 km de São Paulo, para acompanhar as investigações de uma suposta rede de pedofilia na cidade. Eles se reuniram durante cerca de duas horas com a juíza Sueli Alonso, da 2ª Vara Criminal e da Vara da Infância e Juventude.

Além de obter informações sobre o que está sendo feito em relação ao caso, os representantes ofereceram apoio às famílias das vítimas. Cerca de 40 crianças podem ter sido abusadas sexualmente por nove suspeitos do crime apontados pela investigação.

A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da pedofilia vai convocar os suspeitos de terem molestado meninos e meninas na cidade para prestar depoimento. O requerimento apresentado na quarta-feira (4) pelo senador Magno Malta foi aprovado por unanimidade pelos integrantes da CPI. O diretor da escola onde as crianças estudam, uma integrante da pastoral da cidade e o pai de uma das vítimas também foram convidados para falar à CPI.

A comissão pediu ainda a quebra dos sigilos telefônicos dos suspeitos e de 14 pais e mães de famílias das vítimas. Os integrantes da CPI vão retornar à Catanduva no dia 16 e ficam na cidade até o dia 18 de março. 

Após abuso, vítimas de pedófilos sofrem com preconceito

Um garoto conta que agrediu os colegas de classe dentro da própria sala de aula. O pai, um jardineiro de 42 anos, tentou conversar com a mãe do menino que zombou do seu filho. Mas o problema dele é maior. As duas filhas, de 8 e 5 anos, também estão sendo ridicularizadas onde estudam. 

“Eles ficam dando risada. Perguntam se eu fui estuprada. Eu não falo nada. Fico quieta”, revela a garotinha de 8 anos e cabelos longos. Ainda com o uniforme da escola, brinca pela casa, parecendo esquecer em seguida o que aconteceu.

Bem mais quieta é a adolescente de 13 anos, que fica sentada no sofá acompanhando a conversa. Quando perguntada se também tem sofrido com os comentários dos colegas, fala em voz baixa que sim. “Falam que ele me estuprou. Eu me sinto mal e saio de perto. Não queria voltar para a escola”. 

A jovem é filha de uma ajudante de cozinha, de 33 anos, que, com medo das ameaças, passa o dia na casa da vizinha e agora amiga. “A gente está sendo ameaçado, apontado na rua. As crianças não querem ir à escola”, conta a mulher.

Para a polícia, o principal vilão na história é um borracheiro de 46 anos, que está preso acusado de assediar crianças de bairros da periferia de Catanduva. De acordo com membros da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Pedofilia, o principal suspeito de pedofilia confessou o crime.

O sobrinho dele, de 19 anos, também está na cadeia. Além disso, dois jovens de 16 e 17 anos foram apreendidos na Fundação Casa (extinta Febem).

“Ele [o borracheiro] era muito dócil. Dava doces e pipas para as crianças. Era a forma de atraí-las”, diz a ajudante de cozinha.

Segundo ela, o borracheiro assediou três de seus quatro filhos. A mulher relata que, quando começou a desconfiar da “amizade” do vizinho borracheiro com as crianças, tentou impedir que elas fossem à casa dele. “Eu os proibia de sair, mas eles pulavam o muro”.

Amedrontado

O senador Magno Malta (PL), que preside a CPI da Pedofilia, esteve na semana passada com o borracheiro suspeito de fazer parte da rede de pedofilia e disse que o homem “está amedrontado”. Malta conversou com ele no Centro de Detenção Provisória de São José do Rio Preto, cidade vizinha, a 438 km de São Paulo. Um outro homem está preso e dois adolescentes, detidos.

“Ele está amedrontado. Não tem condições de pagar um advogado”, contou o parlamentar quando deixou a prisão. “Ele não tinha noção da situação dele e mostrei em que buraco se meteu”, afirmou Malta. O senador explicou ao preso que o caso dele pode se agravar porque o borracheiro tirou fotos das crianças de que teria abusado.

*Com informações do G1

 

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