Os motoristas de caminhões que usam o Sistema Anchieta-Imigrantes trabalham mais de 12 horas sem dormir. Nove por cento deles já usaram drogas. Sob esses efeitos, as cenas de imprudência se repetem, principalmente à noite. É o que diz uma pesquisa que traçou o perfil dos caminhoneiros, divulgada no final de 2008.
É um número recorde de carretas e caminhões rumo ao porto de Santos. Apenas entre janeiro a novembro do ano passado, mais de três milhões fizeram este caminho. Mas nem todos chegaram ao fim da viagem.
A idade média da frota que circula pelo Sistema Anchieta-Imigrantes é de 13 anos, mas há caminhões mais antigos no meio da estrada. Excesso de carga, rodas desalinhadas, suspensão torta e carregamento solto na carroceria não são cenas raras.
Cinqüenta e oito por cento dos motoristas preferem viajar à noite, e quase a metade dos caminhoneiros dirige mais de 12 horas por dia. Nove por cento deles já usaram drogas, como inibidores de sono, maconha, cocaína e álcool. Com a lei seca em vigor, os números começaram a diminuir: 75,7% dos caminhoneiros entrevistados disseram que não consomem bebidas alcoólicas durante o trabalho, contra 4,3% que afirmaram beber diariamente.
Outro agravante é a imprudência ao volante. A pesquisa também apontou que 28% dos acidentes acontecem na serra da Via Anchieta, trecho mais perigoso, onde os motoristas abusam, como andar na faixa da esquerda em alta velocidade. Para diminuir esse risco, a sinalização foi alterada: a velocidade máxima caiu para 50 km/h , mas os abusos não acabaram. “Nós ainda temos maus motoristas. E por conta desses maus motoristas é que nós estamos instalando cada vez mais a questão dos radares, a fiscalização com polícia”, disse Humberto Gomes, diretor-superintendente da Ecovias, concessionária que administra o sistema viário.
Com informações do portal G1.