Fora de casa na maior parte do ano, os caminhoneiros têm se tornado um grupo bastante vulnerável às doenças sexualmente transmissíveis (DST) e à Aids. Levantamento feito pelo pesquisador e enfermeiro Elias Marcelino da Rocha, da Universidade de Brasília, com 240 motoristas de caminhão no estado de Rondônia revela que 26% deles já tiveram ou têm alguma DST. Mesmo sendo regional, o número preocupa, levando-se em consideração que a maioria desses profissionais trabalha além das fronteiras do seu estado, trafegando de Norte a Sul do país.
Entre os 64 motoristas que já contraíram alguma DST, as doenças mais comuns foram gonorréia (72,5%), cancro (8,7%) e sífilis (7,2%). O restante está distribuído entre chato, uretrites e escabiose (sarna) (2,9%). A análise do comportamento desses profissionais apontou também o quão freqüente é a busca por aventuras sexuais com parcerias sexuais (homens ou mulheres) durante as viagens. Dentre os entrevistados, 76% relataram relacionamento extraconjugal com profissionais do sexo, mesmo sendo casados. Os participantes tinham idade entre 30 e 49 anos e vida sexual ativa.
No universo pesquisado, 38% revelaram procurar parceiras sexuais por necessidade fisiológica e, 25%, pelo fato de ficarem muito tempo fora de casa, além do distanciamento familiar. Para Rocha, os dados demonstram a necessidade de realizar ações de conscientização permanentes. “Mais de 40% disseram nunca ter recebido orientação, que é o elemento fundamental para evitar que eles se exponham sexualmente”, afirma.
Na hora de cuidar da saúde dos caminhoneiros, entretanto, as características vinculadas ao trabalho são um entrave e prejudicam o tratamento das doenças. Eles evitam ir a centros de saúde, por exemplo, para não parar a viagem. Além disso, temem atrasos em consultas, que aumentariam ainda mais o tempo de jornada nas estradas.
Fonte: Agência UnB
