Programa Na Mão Certa

Denúncias de exploração sexual na Amazônia ameaçam religiosos

Desde abril, os brasileiros têm acompanhado o drama dos bispos ameaçados de morte por terem denunciados abusos, agressões, exploração sexual de crianças e adolescentes, tráfico de seres humanos e pedofilia no Pará. Apesar das manifestações, da divulgação do caso na mídia e do envolvimento do poder público no caso, ainda é grande a preocupação com a integridade física desses religiosos.

No último dia 6, uma comissão do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) ouviu os bispos dom Luiz Ascona, dom Flávio Giovanelle e dom Erwin Krautler, além do padre José Amaro Lopes, todos ameaçados de morte em municípios paraenses. A reunião resultou na ida da comissão, no último dia 19, para Belém, onde começaram as investigações nas localidades que registram o maior número de denúncias, como Abaetetuba, Prelado do Xingu e Anapu.

Embora o caso tenha se tornado público há pouco mais de um mês, o histórico de denúncias que resultaram na falta de ações de correção e de prevenção é muito mais antigo. Há dois anos, dom Erwin Krautler, da Prelazia do Xingu, está sob a guarda do Programa de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos, ligado à Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH). Há pelo menos 10 anos, ele passou a ser ameaçado de morte por denunciar irregularidades no sul do Pará.

Inicialmente, eram casos de grilagem, invasões de terras e extração ilegal de madeira. Há cerca de 10 anos, dom Ervim denunciou a castração de vários meninos da região, que eram seqüestrados e, em alguns casos, mortos. Com o passar do tempo e da falta de ações, uma rede de exploração sexual de crianças e adolescentes foi organizada. Algumas pessoas que tentaram denunciar irregularidades na região, como a freira norte-amerticana Dorothy Stang, foram assassinadas, e os mandantes dos crimes foram inocentados.

"Temos problemas que seria ingenuidade pensar que se resolvem facilmente. Alguns foram se acumulando durante anos e não é possível resolver de repente", afirma o bispo da Diocese de Abaetetuba (PA), dom Flávio Giovenalle, sobre a situação na região. Enquanto o processo se arrasta, o número de pessoas ameaçadas de morte no Pará já chega a 300.

“Exigimos das autoridades competentes investigações sérias e proteção para os ameaçados. Sua vida é preciosa para o povo que defendem e para nós que lhe somos solidários”, diz a CNBB em nota enviada à imprensa. Os bispos também manifestam indignação com as ameaças contra os religiosos e cobram respeito às leis. “Todos somos responsáveis pela construção de um país justo em que as leis sejam respeitadas e garantido o direito de todos a uma vida digna. A justiça e não a violência é que constrói a paz”.

 

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