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Instalação de mineradoras contribui para o aumento da exploração sexual

A instalação de empresas mineradoras em pequenas cidades no Amapá contribuiu para o crescimento da exploração sexual de crianças e adolescentes na região. É o que denuncia a coordenadora estadual do Programa Sentinela, Carla Góes. Entre os motivos apontados estão a falta de ações preventivas e de esclarecimento por parte das empresas, e a situação de pobreza em que se encontram as famílias que vivem na região.

Segundo a coordenadora, desde 2006, o número de trabalhadores levados pelas mineradoras chega a representar 1/3 da população de algumas cidades. Ela ressalta que a maioria dos homens não levam suas famílias. "Chegou a um ponto em que as adolescentes vão nos alojamentos, pousadas e hotéis oferecer 'os serviços' para os trabalhadores dessas empresas, principalmente nos dias de pagamento", afirma.

Devido à situação de pobreza que parte da população vive nas regiões de mineração, muitas meninas são incentivadas pelos próprios familiares. Segundo Carla, a exploração já chegou a um ponto tão crítico que os próprios pais das jovens, e principalmente as mães, "agenciam" as filhas. O objetivo é conseguir dinheiro para contribuir financeiramente para o sustento da família

A gravidade da situação está chamando a atenção de prefeitos e entidades que lidam com crianças e adolescentes. Segundo a prefeita de Serra do Navio, Francimar Santos, a chegada de tantos homens sem família modificou a realidade do município. "A maior parte dos homens, quando chega, procura bares, salões de festa e mulheres. E também há mulheres de fora chegando em nosso município. E há a questão da gravidez precoce crescendo. Na maioria das vezes, eles engravidam nossas meninas e vão embora", lamenta Francimar.

A prefeita também reclama que o aumento repentino da população, além da exploração sexual, trouxe problemas como falta de energia elétrica e água tratada, aumento de lixo na cidade, superlotação nas escolas e no sistema público de saúde. Porém, o gerente de Saúde, Meio Ambiente e Comunidade da Mineração Pedra Branca do Amapari (MPBA), Claudinei Mariano Alves, afirma que a empresa não tem conhecimento desse fato. Claudinei acrescenta que, nos últimos dois anos, a mineradora reduziu o número de empregados e de prestadores de serviço.

A empresa, no entanto, de acordo com ele, não descarta ações solidárias se for responsabilizada por problemas na comunidade. "A empresa busca sempre se colocar junto às comunidades de interferência, no caso de Pedra Branca do Amapari e de Serra do Navio, para estabelecer parcerias no controle de problemas sociais diversos, porém esse não nos foi levantado", explica.

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