Programa Na Mão Certa

Case Truckers Against Trafficking mostra inovações e semelhanças no enfrentamento da exploração sexual

Fotos: Romero Cruz


O momento em que os caminhoneiros ficaram de pé e receberam os aplausos do público
foi o mais emocionante do evento

Quando estava prestes a terminar sua apresentação sobre o movimento Truckers Against Trafficking (TAT), a americana Kylla Lanier pediu aos 35 caminhoneiros presentes no auditório que se levantassem e recebessem as palmas do público. A cena foi o momento mais emocionante do encontro anual que comemorou os 10 anos do Programa Na Mão Certa e levou Kylla às lágrimas.

Antes da homenagem aos caminhoneiros, Kylla Lanier já havia prendido a atenção da plateia ao contar a trajetória do movimento Truckers Against Trafficking, do qual é vice-diretora. Criado nos Estados Unidos em 2009, o movimento é uma ação de enfrentamento ao tráfico e exploração sexual de pessoas, inclusive crianças e adolescentes, que conta com a importante atuação dos caminhoneiros americanos.

“O tráfico de pessoas é uma forma moderna de escravidão”, definiu Kylla Lanier. Nos Estados Unidos o tráfico sexual é a prostituição forçada e qualquer menor de idade que pratique sexo com fins comerciais é uma vítima do tráfico sexual. A vice-diretora do movimento apresentou alguns dados impressionantes, como o de que há 21 milhões de vítimas do tráfico de pessoas no mundo, um crime que rende anualmente cerca US$ 150 bilhões aos traficantes, segundo a Organização Internacional do Trabalho.

Kylla afirmou que o tráfico de seres humanos acontece em todos os 50 estados americanos e que milhares de crianças estão em risco de serem vítimas da exploração sexual no país. Para o público presente ao encontro anual do Programa Na Mão Certa, as informações e análises feitas pela vice-diretora evidenciavam similaridades entre a realidade brasileira e a americana no que se refere à exploração sexual, incluindo crianças e adolescentes, nas estradas de ambos os países.

“Os caminhoneiros profissionais são os olhos e ouvidos na estrada. São treinados para serem vigilantes e observadores”, disse Kylla, numa definição quase idêntica àquela propagada pelo Programa Na Mão Certa. A vice-diretora do TAT explicou que os principais locais onde ocorrem as ações de enfrentamento ao tráfico de pessoas e exploração sexual são os pontos de parada dos caminhões e estacionamentos, terminais de ônibus, postos de gasolina, hotéis e motéis próximos às estradas.

“Em resposta a esta realidade, o movimento Truckers Against Trafficking reconhece que o setor de transporte rodoviário de carga, por meio das associações de caminhoneiros que promovem cursos extensivos podem fornecer um conjunto extra de olhos e ouvidos para a aplicação da Lei na recuperação de vítimas e a prisão dos criminosos, especialmente, porque na sua rotina, os motoristas profissionais estão muitas vezes em lugares onde eles podem encontrar essas vítimas do tráfico de seres humanos”, explicou Kylla.

“Se todos os caminhoneiros forem treinados e souberem o que procurar e então imediatamente denunciar, imagine quantas vítimas podem ser salvas e quantos criminosos podem ser presos? Esse é o nosso objetivo”, afirmou, numa avaliação muito próxima a filosofia defendida pelo Programa Na Mão Certa no Brasil.


Apresentação Truckers Against Trafficking - Kylla Lanier - Vice Diretora do TAT

Da teoria à ação

Kylla Lanier explicou que uma característica do trabalho desenvolvido pelo movimento Truckers Against Traficcking nos Estados Unidos é a capacidade de se articular em coalisões com associações de motoristas, empresas de transportes, postos de combustível e agentes de segurança pública em diversos estados do país.

“O objetivo da coalisão é estabelecer uma relação de trabalho eficaz e sustentável entre o transporte rodoviário de carga e a aplicação da lei estadual para combater o crime de tráfico de seres humanos”, afirmou.

Segundo ela, o TAT cumpre o papel de liderar a coalisão, mas é o sistema de segurança pública local e a Associação de Caminhoneiros (Trucking Association), com o apoio de outras entidades do setor de transporte, que assumem a responsabilidade em agregar os diferentes atores locais para colocar em prática as ações de enfrentamento ao tráfico de pessoas e a exploração sexual. “Estes esforços são destinados à implementação de estratégias e ações eficazes que irão fechar o cerco dos traficantes que exploram com facilidade as vítimas.”

Perto do final da sua apresentação, parecia evidente que o case apresentado por Kylla Lanier não só era de extrema importância para os parceiros do Programa Na Mão Certa por mostrar semelhanças na realidade dos dois países, como também por inspirar novas formas de parceria e ação integrada e sistêmica, principalmente, para em regiões ou áreas de risco nas rodovias brasileiras.

Para os caminhoneiros presentes no auditório, Kylla pediu uma salva de palmas; para ela, o público se encarregou de fazer isto.

 

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