Programa Na Mão Certa

Entrevista com a presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da Polícia Rodoviária Federal


Marcia Freitas Vieira

Marcia Freitas Vieira é uma policial incansável. À frente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da Polícia Rodoviária Federal, tem a árdua missão de ajudar a melhorar o diálogo da PRF com a sociedade; auxiliar na formação de policiais alinhados com os princípios dos Direitos Humanos; coordenar o mais amplo mapeamento já realizado sobre exploração sexual de crianças e adolescentes nas rodovias, identificando os pontos vulneráveis nas rodovias que cortam o país de Norte à Sul. Nessa entrevista ao boletim do Programa Na Mão Certa, Marcia fala sobre o novo mapeamento, apresentado no final de setembro em Brasília.

Na Mão Certa – Quais os pontos importantes desse novo mapeamento?

Marcia - O mais importante é a redução da criticidade das rodovias, a redução da vulnerabilidade. Apesar do número absoluto de pontos ter aumentado - já que mais estabelecimentos foram construídos e a nossa forma de pesquisar está mais apurada -, a redução dos pontos críticos reflete não só as ações operacionais e repressivas, mas o engajamento da sociedade e das empresas. Reflete a sensibilização, o comprometimento, a responsabilidade social dos estabelecimentos, dos empresários e dos motoristas.

Na Mão Certa – Qual é a contribuição do mapeamento para as ações de enfrentamento?

Marcia - O mapeamento faz um diagnóstico que ajuda a subsidiar políticas públicas e ações da sociedade civil organizada. É um diagnóstico que aponta onde está o problema e onde devemos nos preocupar mais. Aponta o que devemos modificar para que o os locais sejam menos suscetíveis. Mostra para onde deve ser direcionada as estratégias de enfrentamento, os esforços da sociedade. O mapeamento ajuda a entender o problema e aponta caminhos.

Na Mão Certa – E as empresas, como elas podem usar o mapeamento?

Marcia – As empresas podem usar o mapeamento tanto na gestão de risco quanto na sensibilização dos motoristas diante dos critérios que tornam um ponto vulnerável. Refazer a rota para evitar a parada em um estabelecimento proibindo a parada naquele local não contribui com a problemática. O local vai fechar e surgirão outros nas proximidades, em rotas com maior fluxo. A empresa precisa usar esse estudo para sensibilizar e capacitar seus colaboradores, para que tenham conhecimento e façam a sua parte, denunciando, dando sugestões, conversando com seus pares. A migração de pontos acontece. O que muda o cenário é o engajamento de todos. É a mudança de olhar diante do problema.

Na Mão Certa – O policial está preparado para agir diante do problema?

Marcia - A PRF tem investido, nos últimos anos, em capacitação e sensibilização do policial. É importante, para nós, investir no contato e na interlocução com a sociedade. São cursos, workshops, fóruns de direitos humanos, congressos de instrutores de direitos humanos para a formação de multiplicadores. No nosso contato com a sociedade, estamos à disposição para palestras e conversas nas empresas. Estamos à disposição para enfrentar a causa.


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