Programa Na Mão Certa

Childhood Brasil: balanço de 2013 e projeções para o próximo ano

Desde sua criação, em 1999, A Childhood Brasil investiu R$ 35,6 milhões em diversos programas e projetos com foco na proteção dos direitos de crianças e adolescentes. Foram beneficiadas mais de 1,5 milhão de pessoas entre crianças, adolescentes, familiares e profissionais que atuam na causa. A Childhood Brasil disseminou metodologias, estabeleceu parcerias intersetoriais e influenciou políticas públicas. Hoje, tem seis programas em andamento, um projeto próprio ligado à Copa do Mundo e 10 projetos sendo financiados. Ao longo de 14 anos de trabalho, a organização conquistou reconhecimento, respeito e contribuiu para melhorar a vida de pessoas em situação de risco. Na entrevista abaixo, o gerente geral de programas da Childhood Brasil, Itamar Gonçalves, faz um balanço das atividades realizadas em 2013 e projeta os objetivos para o próximo ano.

Na Mão Certa - Pensando em um balanço de 2013, que realizações você destacaria como mais importantes?

Itamar Gonçalves – Trabalhamos intensamente para que a Copa do Mundo de 2014 deixe um legado positivo para uma infância livre de exploração sexual de crianças e adolescentes. Estimulamos ações de proteção à infância nas 12 cidades sedes, geramos visibilidade para a causa e engajamos o setor privado a unir esforços em torno de ações efetivas de enfrentamento do problema. Também organizamos o seminário “Proteção à Infância e Copa do Mundo de 2014” e lançamos a pesquisa internacional “Copa do Mundo - riscos e intervenções para a proteção da infância”, em parceria com OAK Foundation e Brunel University. Iniciativas como essa, o envolvimento de empresas, governos e organizações da sociedade civil, a realização de pesquisas e seminários, tem um foco prioritário: visa promover uma agenda de convergência com o objetivo de propor, executar e monitorar ações de prevenção às violações de direitos de crianças e de adolescentes durante os eventos esportivos, como a Copa do Mundo. Este é nosso princípio norteador. Queremos deixar um legado, uma metodologia de trabalho no que diz respeito a grandes eventos e proteção da infância e da adolescência.

Em relação ao Programa Na Mão Certa, além de consolidar a parceria com as mais de 1450 empresas e entidades empresariais signatárias do Pacto Empresarial, realizamos um importante planejamento para os próximos cinco anos. Nosso desafio é mostrar que o Programa está tomando um novo rumo, algo que as empresas participantes já estão começando a ser informadas. Estamos revisando o Projeto de Educação Continuada e definindo as ações que serão tomadas para que possamos atuar em forma de rede sistêmica. São dois importantes passos: uma readequação da operação do Programa e uma nova estrutura de relacionamento com as empresas signatárias do Pacto Empresarial que passarão a estar organizadas por categorias de participação.

Recebemos a visita de S.M. Rainha Silvia da Suécia, que veio ao Brasil firmar protocolos e parcerias para ampliar as salas de depoimentos especiais, onde crianças e adolescentes vítimas de abuso ou exploração sexual podem ser ouvidas de forma protegida pelas autoridades que realizam a investigação. A Rainha também esteve reunida com empresários, organizações da sociedade civil e representantes do governo federal. Fundadora da Childhood, a Rainha Silvia tem muito claro que uma criança que sofrer abuso já é demasiado traumático, portanto, é preciso criar mecanismos eficazes para ouvir o depoimento. Avançamos bastante nesse campo em 2013.

Na Mão Certa - A Childhood Brasil está satisfeita em relação ao entendimento da sociedade sobre o tema da proteção da infância e da adolescência? O que falta pra alcançarmos um padrão aceitável?

Itamar Gonçalves - Ainda temos um longo caminho no que diz respeito ao cumprimento dos direitos das crianças e adolescentes e à conscientização da sociedade brasileira para a gravidade do problema. O tema precisa urgentemente fazer parte da agenda da sociedade brasileira.

Na Mão Certa – Você percebe um aumento na participação das empresas no apoio às iniciativas ligadas à defesa de direitos. As empresas estão mais sensíveis para esse tipo de problema?

Itamar Gonçalves – Sim, as empresas estão mais sensíveis e mais comprometidas com a sustentabilidade. Veja o caso do Programa Na Mão Certa. São mais de 1450 empresas e entidades empresariais signatárias. Um passo importante, que ainda precisa ser dado, é o tema fazer parte da gestão estratégica de responsabilidade social. Não pode ser apenas uma ação isolada. É importante pensar a longo prazo, com metas claramente definidas.

Na Mão Certa – Quais as expectativas da Childhood Brasil para 2014?

Itamar Gonçalves – Vamos avançar com os programas e com nosso objetivo de criar mecanismos efetivos de proteção à infância e à adolescência. Isso se dará através de ações concretas. As salas de depoimentos especiais, que estão sendo ampliadas por iniciativa nossa, em parceria com governos e tribunais de justiça, é um exemplo do que está dando certo. Um levantamento realizado nas 42 comarcas brasileiras que tem sala de depoimento especial mostra que o índice de condenação dos autores dos abusos passou de 4% a 6% para 60% a 80%. Também vamos seguir com o engajamento do setor privado para a realização de ações efetivas de proteção da criança e do adolescente durante a Copa do Mundo, estimulando e monitorando as iniciativas nas 12 cidades sedes.

No âmbito do Programa Grandes Obras, vamos consolidar a sensibilização das empresas e dos trabalhadores ligados às grandes obras que estão em andamento no Brasil. O Brasil está crescendo e as grandes obras precisam ter mecanismos eficientes de proteção dos direitos de crianças e adolescentes que vivem em suas áreas de influência.

No âmbito do Programa Na Mão Certa, vamos definir nosso foco e estabelecer indicadores para acompanhar de forma efetiva as ações de enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes nas estradas. Vamos estruturar um banco de casos e definir nossa estratégia de Advocacy.

 

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