Programa Na Mão Certa

Reportagem sobre exploração sexual é indicada para Prêmio Esso

A reportagem especial "Histórias de exploração sexual de crianças e adolescentes nas rodovias federais", publicada pelo jornal O Povo, de Fortaleza, é finalista regional do Prêmio Esso de Jornalismo – a mais importante premiação da categoria profissional no Brasil. O mesmo trabalho também é finalista no Prêmio Imprensa Embratel 2007. Nas próximas edições do Boletim Informativo Na Mão Certa serão reproduzidas algumas das histórias contadas na reportagem.

O trabalho originou-se de um projeto inscrito na 3ª Edição do  Concurso Tim Lopes de Investigação Jornalística, realizado pela Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI) e a Childhood Brasil. O Concurso Tim Lopes de é uma iniciativa pioneira de incentivo à mídia para aprofundar a cobertura sobre o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes. Ao contrário dos demais concursos jornalísticos, o projeto não premia reportagens prontas, mas propostas de pautas originais e inovadoras sobre o tema.

As melhores idéias nas cinco categorias do concurso (Impresso, Rádio, TV, Mídia Alternativa e Temática Especial) recebem uma Bolsa de Incentivo à Investigação para a produção das reportagens. Os jornalistas escolhidos também dispõem de apoio técnico com os mais renomados especialistas na área e, após a divulgação de suas produções, recebem prêmio em dinheiro.

Publicado em 7 de dezembro de 2006 no jornal cearense, o caderno especial de 16 páginas "Documento BR" é de autoria dos repórteres Cláudio Ribeiro, Luiz Henrique Campos, Demitri Túlio, Felipe Araújo, do fotógrafo Fco (Francisco) Fontenele e do motorista Valdir Gomes, coordenados por Fátima Sudário. Durante três meses a equipe levantou informações e percorreu 4 mil km nas rodovias federais que cortam o Ceará, investigando os pontos de exploração sexual infanto-juvenil. O resultado é um painel de histórias tristes, denúncias e revelações surpreendentes.

A idéia da reportagem nasceu a partir da divulgação, em 2006, de um relatório da Polícia Rodoviária Federal apontando os pontos vulneráveis à exploração sexual infanto-juvenil nas rodovias brasileiras, conta o jornalista Demitri Túlio: "Fizemos um projeto e recebemos uma bolsa do Prêmio Tim Lopes de Investigação Jornalística ". O levantamento abrangeu 25 municípios cearenses no entorno de rodovias federais – com foco nos postos de combustíveis e postos de fiscalização da Secretaria da Fazenda.

"Zonas francas de prazer"

"Os caminhoneiros às vezes passam oito a 12 horas nos postos de fiscalização esperando a conferência da carga e usam os postos de combustíveis como dormitórios", diz. "Esses locais se transformam em zonas francas de prazer, onde crianças e adolescentes são exploradas". Túlio enfatiza que a intenção não era estigmatizar nem as meninas como vítimas nem os caminhoneiros como algozes. "Partimos do ponto de vista das meninas e percebemos que não bastava ficar na denúncia, era importante fazer jornalismo propositivo".

A intenção dos repórteres é que seu trabalho tenha continuidade e contribua para transformar a realidade nas estradas cearenses. Uma das principais constatações dos autores da reportagem é que no Ceará, a exemplo do que ocorre em outros estados brasileiros, a rede de prevenção e proteção às crianças e adolescentes em situação de risco está quebrada. "O Ministério Público Estadual deveria exigir que os municípios cumprissem a lei, de maneira que pudessem existir conselhos tutelares funcionando bem, diagnósticos municipais e casas de abrigos para as mães adolescentes. Há uma série de coisas que não estão sendo cumpridas".

Encaminhamentos

Um relatório com diversas sugestões de providências foi levado ao procurador geral de Justiça do Estado. Este, então, fez uma recomendação escrita aos promotores das 184 comarcas cearenses para que exigissem providências dos prefeitos no sentido do cumprimento da legislação que protege as crianças e adolescentes. A Assembléia Legislativa também foi procurada pelos jornalistas, que solicitaram a inclusão do tema no horário da TV Assembléia, de maneira a disseminar o debate pelo interior.

"Outra providência que tomamos foi enviar às Corregedorias da Polícia Rodoviária Federal e da Secretaria de Segurança Pública os depoimentos de meninas que afirmam terem entrado na rede de exploração sexual através de policiais", conta Túlio. Na PRF a investigação está em andamento. Na Polícia Civil um inquérito indiciou um agente e um informante da polícia por exploração sexual – eles aliciavam uma menina para vender crack numa casa da periferia de Fortaleza.

Esta é a terceira indicação, em dois anos seguidos, que os repórteres de O Povo recebem para o Prêmio Esso de Jornalismo. Cláudio Ribeiro e Demitri Túlio já ganharam cinco Essos regionais. "Esta indicação é muito importante porque é o reconhecimento do mérito do jornalismo investigativo ligado a direitos e cidadania", diz Ribeiro.

 

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