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Crescem denúncias de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes em 2012

Após a apresentadora Xuxa Meneghel revelar ter sofrido abuso sexual até os 13 anos para o programa da Rede Globo Fantástico, em 21/05 (domingo), o Disque 100 recebeu 285.051 ligações na segunda e terça-feira subsequentes — um crescimento de 30% em relação ao total de ligações do mesmo período na semana anterior. O número inclui ligações sobre qualquer tipo de violação, não apenas relacionadas a abuso e exploração sexual de crianças.

Segundo Xuxa, os agressores eram pessoas próximas do círculo de convívio da família. Xuxa afirma que sua mãe não desconfiava que algo de errado pudesse estar acontecendo — mesmo tendo apresentado uma mudança abrupta de comportamento após os abusos, tornando-se uma criança retraída e calada.

Ao Fantástico, Xuxa afirmou: “Eu fui abusada, eu sei o que é isso, a gente sente vergonha, a gente acha que é culpada. Eu sempre achei que eu estava fazendo alguma coisa, que era a minha roupa”. O depoimento de Xuxa mostra uma inversão comum e perigosa de papéis, que pode gerar consequências irreversíveis ao desenvolvimento psicológico da vítima.

Romper o silêncio e encaminhar a denúncia é a principal arma contra esse crime. Além do Disque 100, também é preciso articular toda a rede de proteção dos direitos da criança e do adolescente.

Aumento sustentado das denúncias

Contudo, como demonstram números do Disque Direitos Humanos divulgados antes das revelações de Xuxa, a escalada de denúncias não foi um fenômeno isolado favorecido pela exposição de uma personalidade pública. De janeiro a abril deste ano, o serviço acolheu 34.142 ligações denunciando situações que afrontavam a integridade de crianças e adolescentes, bem como ameaçavam as condições plenas para seu desenvolvimento saudável e protegido — um crescimento de 71% em comparação ao mesmo período do ano passado. Isso demonstra que a ampla divulgação do canal de denúncias e o aumento na capacidade de atendimento do Disque 100 trouxeram um salto no número de denúncias registradas.

A Bahia é o estado com o maior número de denúncias destes tipos de violações feitas: de lá partiram 962 relatos de abuso e 250 de exploração sexual no período. O estado de São Paulo aparece em segundo lugar e o Rio de Janeiro em terceiro, no número de relatos de abusos. Com relação à exploração sexual de crianças e adolescentes, o Rio de Janeiro tem o segundo maior número de denúncias, seguido por São Paulo.

Segundo o relatório, o número de denúncias não reflete a total incidência da violência nos estados, pois são contabilizados somente os registros das pessoas que buscaram ajuda por meio do serviço telefônico. As informações apresentadas não inferem que os estados com maior número de denúncias são os que apresentam maior índice de violência contra crianças e adolescente, ou que não há violência nos estados com menor incidência de denúncias.

 

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