Programa Na Mão Certa

“Há uma consciência de que a exploração sexual mancha a imagem da categoria”,
diz Trucão

Há exatamente um ano, o jornalista Pedro Trucão pede a ajuda dos caminhoneiros no enfrentamento que pode garantir às crianças e adolescentes brasileiros uma vida livre de exploração sexual. Esse é o recado a todos os ouvintes do Globo Estrada Na Mão Certa, veiculado pela Rádio Globo, nas tardes de quinta-feira.

“A quantidade de gente consciente nas estradas está aumentando”, comemora Trucão, para quem a influência da parceria entre a Rádio Globo e a Childhood Brasil, por meio do Programa Na Mão Certa, é determinante. Para celebrar a data, entrevistamos Trucão para saber como o acesso a informação está transformando os caminhoneiros em agentes de proteção. Confira:

PNMC: Passado um ano da parceria entre a Childhood Brasil e a Rádio Globo, o que mudou na cabeça do caminhoneiro em relação à exploração sexual infanto-juvenil?

Pedro Trucão: Vejo que há uma preocupação maior quanto ao tema, tanto por conta de quem dirige quanto dos próprios empresários do meio. Porque o pessoal, quando se encontra na estrada, sempre fala sobre o assunto, sempre tem alguém que defende a causa. Eu acredito que o programa está melhorando e mudando a cabeça de muita gente, fazendo o pessoal pensar.

PNMC: Qual a importância de se tratar também de temas como saúde, família e segurança?

Trucão: Temos de valorizar o caminhoneiro para o mercado e para ele mesmo, mostrar o quanto ele é importante. Ele tem que ter consciência disso. E é interessante para a sociedade e para o transportador que o caminhoneiro esteja em dia com sua saúde e de bem com a família, para que desempenhe cada vez melhor seu trabalho.

PNMC: Para seus ouvintes, que já andaram pelos cantos mais remotos do Brasil e vivenciaram muita coisa, ver crianças em situação de exploração sexual ainda choca?

Trucão: Sim, pois pensam na própria família. Quando estão diante de uma situação dessas, eles veem a filha, a sobrinha, alguém com quem têm laços, e claro que ficam chocados . Esta indignação os impele a entrar em ação: denunciando, ajudando de alguma forma. Tenho sentido que esse comportamento é cada vez mais frequente, tanto por parte de motoristas autônomos quanto dos das empresas. Claro que tem um maluco ou outro que age de forma diferente, por isso o próprio programa incentiva todos a chamarem o parceiro para ser um agente de combate.

PNMC: Que fatores levam um caminhoneiro a ter relações sexuais com crianças ou adolescentes?

Trucão: Como qualquer outra, a profissão de caminhoneiro tem seus malucos. Mas pelo conhecimento de quem acompanha esse povo de perto, digo que é um percentual pequeno até, se comparado a outros segmentos. Mas como muita gente fica longe de casa por um período longo, isso acaba acontecendo mesmo. Alguns pensam: “Se está lá, na estrada, então é um ´produto´ que pode ser comprado”. Agora, hoje, o pessoal está mais consciente por inúmeras razões: influência da transportadora, do monitoramento pelo rastreador, da ação da polícia, da família, de um caminhoneiro que fiscaliza o outro e das campanhas que falam constantemente sobre esse assunto, caso do Programa Na Mão Certa. Há uma consciência de que a exploração sexual de crianças mancha a imagem da categoria.

PNMC: Considerando que o caminhoneiro é o público-alvo da rede de tráfico de pessoas e de roubo de carga, qual a abordagem certa para que ele se identifique como agente de proteção, sem estigmatizar sua figura?

Trucão: É essa que a gente já vem fazendo: convidá-lo a ser um agente de proteção. Ele é o nosso olho da estrada, temos de trazê-lo para o nosso lado. Aqueles que têm uma visão correta vão ajudar; aqueles que não têm, vão pensar duas vezes antes de agir, porque sabem que podem ser denunciados por muita gente ao redor deles. As próprias empresas — que têm no motorista e no próprio caminhão seus cartões de visita — também estão atuando com eficiência. É esse trabalho em conjunto que faz a mudança.

 

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