Programa Na Mão Certa

Em São Paulo, pais são responsáveis por 75% dos casos de violência sexual que acontecem dentro da família

O panorama atual do enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes em São Paulo foi debatido no Fórum de Enfrentamento a Violência, realizado pelo Centro de Referência às Vítimas de Violência (CNRVV) do Instituto Sedes Sapientiae em 23/02. Como frisou Fabiana Pereira, coordenadora da Proteção Social Especial da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social da capital paulista, a maior cidade da América do Sul teve o 3º maior número de denúncias pelo Disque 100 entre capitais estaduais durante o Carnaval de 2011 — atrás de Salvador e Rio de Janeiro.

“44% dos casos relatados são de abuso. A maior parte deles são intrafamiliares”, diz Fabiana, fazendo menção ao dado de que 75% dos casos aconteceram dentro da família, sendo que em 60% deles o agressor era o pai ou a mãe da vítima. Os números, que são da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, mostram que a exploração sexual de crianças e adolescentes perfazem 2% dos casos denunciados.

“O número real de crianças e adolescentes explorados é maior, já que trata-se de uma situação singular, em que a vítima está isolada do convívio social e familiar e sente-se intimidada pelo aliciador”, enfatiza Fabiana.

Além de realizar ações de divulgação e sensibilização em datas chave no calendário do enfrentamento à exploração sexual — como o Carnaval e o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes (celebrado em 18 de maio) — Fabiana ressaltou que a prefeitura realiza trabalhos contínuos em CREAs e nos Centros de Educação Unificados (CEUs) da cidade, com especial enfoque nas subprefeituras que registram os maiores índices de violência sexual, como Cidade Ademar (Zona Sul), Freguesia do Ó (Zona Norte) e Itaquera (Zona Leste) — nesta subprefeitura está o estádio que receberá os jogos da Copa do Mundo em 2014.

“É muito importante trabalhar diretamente com as crianças”, diz Fabiana. “Todas são educadas para confiar em seus pais, então o que elas sentem quando sofrem abuso dos pais? Temos que trabalhar com elas a educação familiar, dando condições para que as vítimas quebrem o silêncio e se deem conta de sua condição.”

Outro participante, o professor do Instituto de Psicologia da USP José Leon Crochik, enfatizou um avanço a estrutura paulistana de atendimento. “Em 2011, o número de conselhos tutelares ampliou de 37 para 44. Não chega a ser ideal, mas foi um avanço importante”, considerou.

 

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