O ano de 2011 fechou com um expressivo número de 33 oficinas de formação de pontos focais e multiplicadores. Em 12 meses, o Programa Na Mão Certa se mobilizou intensamente para dar apoio pedagógico às empresas — este número é quase igual ao total de oficinas realizadas nos 48 meses transcorridos entre 2007 e 2010. Isso é prova de que as empresas estão se capacitando para cumprir os compromissos assumidos no Pacto, dando o primeiro passo no enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes que acontecem em nossas estradas.
A realidade, no entanto, mostra que ainda é necessário consolidar, na relação entre empresas e seus colaboradores/ fornecedores, um corpo sólido de valores humanos, para que a atuação profissional dos motoristas seja pautada por um forte senso de responsabilidade e consciência cidadã.
Considerando apenas a malha rodoviária federal, existem quase 2 mil pontos para a exploração sexual de crianças e adolescentes. Por diferentes motivos, que vão da esfera profissional (comunicação pouco atuante, baixo investimento em formação profissional) à pessoal (falta de preparo para lidar com problemas familiares, consumo de drogas), os caminhoneiros são um dos maiores alvos da rede de exploração sexual de crianças e adolescentes que age nesses locais.
No ano passado, a última edição da pesquisa Perfil do Caminhoneiro mostrou que, considerando apenas os motoristas que trabalham para as signatárias do Pacto, 21,7% deles já saíram com crianças e adolescentes — porcentagem maior que aquela apontada na pesquisa com caminhoneiros entrevistados aleatoriamente. Ainda referente ao primeiro grupo, 71% afirmam conhecer o Programa — nosso objetivo, sempre, é fazer com que todos os motoristas saibam o que é o Programa Na Mão Certa, qual sua importância e como podem ajudá-lo em seu objetivo.
Por isso, é muito importante que as empresas atuem de forma permanente no desenvolvimento de ações que conscientizem este público, ao mesmo tempo em que lhe seja pertinente. Neste sentido, é importante que adotem os conteúdos do Projeto de Educação Continuada em suas atividades internas.
Todo este projeto gira em torno de um eixo principal: a criação, dentro das empresas, de um ambiente favorável à expressão dos colaboradores. Os multiplicadores devem demonstrar que estão abertos a ouvir os relatos do dia a dia dos motoristas, colhendo suas opiniões, sugestões e reclamações. Com essa atitude — aliada a palestras e orientações sobre o enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes e outros temas de cidadania como direitos humanos, saúde e família — os motoristas se sentirão muito mais valorizados e motivados para assumirem os valores da empresa.
Por meio dos oito Guias Na Mão Certa, o Programa fornece um material de apoio para que o enfrentamento à exploração sexual de crianças e adolescentes permeie as ações de treinamento voltada aos motoristas. Após passarem por todo o processo de humanização, os motoristas estarão mais sensibilizados com a causa, prontos para agirem como agentes de proteção dos direitos de crianças e adolescentes — seja por meio do diálogo do tema com outros colegas, seja pela denúncia de flagrantes ou de cúmplices da rede de exploração sexual.
Os guias discutem vários assuntos de interesse do caminhoneiro — a escolha e a ordem dos temas, inclusive, aconteceu por meio do envolvimento direto das signatárias em reuniões com a coordenação do Programa.
Nos próximos boletins, vamos publicar uma série de reportagens com exemplos de empresas que colheram ótimos resultados ao adotarem a Educação Continuada em sua política interna. Também vamos destrinchar passo a passo a estratégia para que o Programa seja implementado e obtenha sucesso na assimilação e aceitação de seus conteúdos, possibilitando às empresas trabalharem a questão do enfrentamento à exploração sexual de forma contínua.
Mãos à obra! Que 2012 seja ainda melhor na garantia de um futuro melhor para as nossas crianças e adolescentes!
Rosana Junqueira
Coordenadora de Programas da Childhood Brasil