Programa Na Mão Certa

Uma visão geral dos Compromissos em Ações

Reinaldo Bulgarelli - Txai Consultoria

O documento Compromissos em Ações foi elaborado a partir do 1º Encontro Empresarial Na Mão Certa, realizado em 24 de maio de 2007. Nesse evento, do qual participaram 44 empresas, foram realizadas oficinas para definição de caminhos comuns, estabelecendo ações em torno dos compromissos firmados no Pacto para enfrentamento à exploração sexual de crianças e adolescentes nas rodovias brasileiras.

As ações foram propostas em torno de sete compromissos relacionados ao Pacto:

  1. Melhorar as condições de trabalho do caminhoneiro: incluir o tema nos treinamentos desse profissional e difundir boas práticas.
  2. Participar continuamente de campanhas para erradicar o problema.
  3. Estabelecer relações comerciais com fornecedores da cadeia de serviços de transporte que estejam compromissados com os princípios do Pacto.
  4. Informar e incentivar seus funcionários a participar de ações para eliminar o problema das rodovias brasileiras.
  5. Apoiar projetos de atenção a crianças e adolescentes vítimas de exploração sexual comercial ou vulneráveis a ela, com recursos próprios e/ou do Fundo de Direitos da Infância e da Adolescência (FIA), em parceria com governos e/ou organizações sem fins lucrativos.
  6. Monitorar os resultados de suas ações e divulgá-las para a sociedade.
  7. Recomendar que seus associados observem as práticas do Pacto e sejam signatários dele, no caso de federações e entidades empresariais.


Estes compromissos e as ações propostas têm por base as práticas que os signatários do Pacto já relatam, procurando dar conta da diversidade de setores da economia engajados. Compromissos e ações procuram facilitar também a elaboração e realização, nas empresas, de programas que traduzam internamente as propostas do Programa Na Mão Certa.

Por isso, cabe lembrar dois aspectos importantes. O primeiro deles é que os compromissos se complementam na produção da estratégia geral de abordagem do tema pela empresa. Não se pode perder essa visão do todo na execução das ações, mesmo que didaticamente eles estejam dispostos em sete áreas temáticas para facilitar o planejamento, a execução e o monitoramento dos resultados.

As áreas temáticas procuram dar conta da complexidade do problema da exploração sexual nas rodovias, com suas muitas causas que convergem para formar o círculo vicioso em que as crianças e adolescentes estão inseridos. Esse conjunto de sete áreas representa a possibilidade de intervenção da empresa nas causas e conseqüências do problema por meio de práticas concretas articuladas e complementares umas às outras.

O segundo aspecto a ser lembrado é que a empresa signatária do Pacto está fazendo parte de um movimento. As ações realizadas em cada empresa devem encontrar formas de se articular dentro da própria cadeia de negócios, ampliando o movimento em sua rede de relações. Também deve se articular com as ações de todas as demais empresas que compartilham dos compromissos do Pacto Empresarial.

O compartilhamento de visão, valores e crenças pode ser resumido na idéia central de que uma empresa sustentável e socialmente responsável não pode admitir a exploração sexual de crianças e adolescentes nas suas dependências, nos veículos de sua frota ou em qualquer elo de sua cadeia de negócios. Essa cadeia envolve stakeholders como clientes, fornecedores, público interno, concorrentes, a comunidade onde a empresa opera e as demais organizações com os quais se relaciona.

O movimento gerado pelo Programa Na Mão Certa busca uma mudança de postura do meio empresarial em relação ao problema da exploração sexual de crianças e adolescentes. É uma mudança cultural num cenário em que a cidadania muitas vezes não atravessa os muros da empresa. Ela passa a se sentir responsável pela gestão dos impactos que gera ou que sofre na realidade social onde opera os negócios.

Movimento é o que as ações internas também devem gerar na empresa. O engajamento dos funcionários deve se dar em torno de um processo de mobilização que gere sentido individual e institucional. Assim, os profissionais e as diferentes áreas da organização podem encontrar formas de participar e responder às propostas do programa interno.

Nada melhor do que revisitar a identidade organizacional, nas empresas onde ela estiver formalizada, para realizar o vínculo com o compromisso assumido no Pacto. A identidade da empresa está expressa na sua missão, visão, valores e princípios de negócio. É algo anterior às estratégias, que tratam da forma ou dos caminhos que a empresa escolhe para expressar sua identidade e interagir na sua complexa rede de relações. Nas empresas onde a identidade não está formalizada, é interessante observar os aspectos da cultura que transparecem no dia-a-dia e que falam das crenças e valores da empresa.

O Pacto está neste campo das crenças e valores na medida em que significa compromisso com uma visão de mundo na qual a exploração sexual de crianças e adolescentes não deve ter lugar. Quando este vínculo está bem estabelecido e expresso nos princípios e diretrizes do programa interno, as sete áreas temáticas fazem maior sentido para a revisão de políticas, normais e procedimentos, passo seguinte do processo de mobilização em torno do Pacto.

A análise das políticas formais ou informais é no sentido de encontrar pontos diretos ou indiretos de vulnerabilidade em relação ao tema da exploração sexual. Também podem ser encontradas políticas, normas ou procedimentos que precisam ser fortalecidos e citados pelo programa interno, como base sobre a qual as ações estão definidas. Há empresas que possuem Códigos de Ética ou de Conduta. Em todas essas possibilidades, pode-se rever o que existe para inclusão de item específico tratando do compromisso com o enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes.

Por fim, há os processos de gestão mais relacionados às operações cotidianas da empresa e que tratam de diferentes áreas, como recursos humanos, compras, administrativo, financeiro, produtos, serviços, entre outros. Todos eles visam impactos diretos no desempenho da empresa, portanto, são passíveis de medição e monitoramento.

É com estas áreas que as ações do programa irão "dialogar", inserindo-se nos processos de gestão já existentes ou até criando outros processos onde for identificada a falta deles. É o caso da inserção do tema na educação corporativa ou práticas de capacitação dos profissionais, sobretudo, mas não apenas, dos caminhoneiros. Se não há nada neste sentido, por que não iniciar?

Como foi dito, a partir dos próximos artigos iremos tratar de cada compromisso e as ações propostas em grandes eixos, com reflexão e dicas sobre as mesmas para facilitar a troca de informações entre as empresas e aprimorar a elaboração do programa interno.

Até a próxima!

  Leia também  

Bovespa incorpora ESCA ao Índice de Sustentabilidade Empresarial
Empresas validam projeto de educação continuada do Programa Na Mão Certa
Mapa de vulnerabilidade: Minas Gerais
Falha no ECA facilita o tráfico de adolescentes
Policial gerenciava rede de exploração sexual de crianças e adolescentes
Transportadora Augusta leva Programa Na Mão Certa para o Mercosul

 

Voltar