Programa Na Mão Certa

O mapa da exploração sexual nas estradas

Nas margens das estradas brasileiras existem 1.918 pontos vulneráveis à exploração sexual de crianças e adolescentes. O número é resultado de uma pesquisa realizada pela Polícia Rodoviária Federal em todo o país e foi divulgado no último 18 de maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

O anúncio, feito em Santarém (PA), coincidiu com uma série de ações realizadas na cidade por conta do início da pavimentação da BR 163, que vai até Cuiabá (MT) e aumentará muito o fluxo de pessoas e veículos na região.

O mapeamento foi realizado por 1.400 policiais rodoviários, distribuídos ao longo das delegacias e superintendências do órgão. O objetivo do estudo é oferecer subsídios ao poder público e ao movimento social, de maneira a enfrentar o problema de forma integrada, abordando todos os seus aspectos. “Estamos cansados de enxugar gelo”, resume o superintendente da PRF no Pará, Isnard Ferreira. Ele exemplifica: “Você faz uma operação, prende os exploradores e muitas vezes sequer tem para onde encaminhar a criança. Uma semana depois, tudo está lá como se nada tivesse acontecido”.

O objetivo, segundo o superintendente, é deixar de ver o problema como um caso de polícia e tratá-lo como uma questão de políticas públicas.

“Estamos organizando uma união de esforços cujo objetivo é acabar com a exploração sexual de crianças e adolescentes nas rodovias brasileiras”, explica a coordenadora do Programa Na Mão Certa, Carolina Padilha.

Em 2006 o programa lançou o Pacto Empresarial Contra a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes nas Rodovias Brasileiras. Atualmente, mais de 100 empresas são signatárias e se comprometem a realizar ações de monitoramento de suas cadeias produtivas, de maneira a não permitir que ocorra a exploração por parte de um funcionário ou de um terceirizado.

O Pacto foca especialmente os cerca de 2 milhões de caminhoneiros que trafegam pelas rodovias. O objetivo é transformá-los em agentes de proteção dos direitos da criança e do adolescente. Este profissional é visto como peça chave para a solução do problema, já que conhece as estradas e os pontos de exploração.

Desta união de esforços também fazem parte a Organização Internacional do Trabalho (OIT), Ministério Público, Conselhos Tutelares, Secretaria Especial de Direitos Humanos e diversos ministérios, como Educação e Saúde. “Precisamos deixar de ser apenas policiais e nos transformar em agentes da cidadania, em parceria com ONGs e governos”, define o superintendente Isnard Ferreira, que está à frente das ações no estado do Pará.

Voltar