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Senadores
debatem a redução da maioridade penal no Senado
Adolescentes
fazem perguntas a senadores contra e a favor da proposta
A
senadora Patrícia Saboya (PSB-CE) e o senador Demóstenes Torres (DEM-
GO) participaram na manhã desta terça-feira, 17 de abril, de debate
promovido pela Agência de Notícias da Infância (ANDI) sobre a redução da
maioridade penal e a aplicação de medidas socioeducativas a jovens e
adolescentes infratores. Na sede do Interlegis em Brasília, os dois
senadores responderam a perguntas feitas por jovens em situação de risco
ou que estão cumprindo medidas socioeducativas, que falaram por meio de
videoconferência de sete capitais brasileiras. A senadora Patrícia,
coordenadora no Senado da Frente Parlamentar pelos Direitos da Criança e
do Adolescente, defendeu sua posição contrária à redução da maioridade
penal, argumentando que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) já
prevê a punição para os adolescentes que cometam crime, inclusive a pena
privativa de liberdade de três anos, que pode ser acrescida de novos
três anos se o juiz responsável considerar que o jovem ainda não tem
condições de voltar à convivência em sociedade.
“No ano que vem, o ECA vai completar 18 anos, mas ele não é cumprido no
Brasil. Todos nós ficamos indignados com os crimes hediondos, as cenas
terríveis que vemos na televisão, mas é preciso dar uma resposta à
sociedade como um todo. Os jovens que cometem crimes não tiveram outras
oportunidades, o crime foi o que apareceu para eles”, afirmou Patrícia.
“O Congresso, o Executivo e a Justiça não fizeram o seu papel”, apontou
a senadora, referindo-se tanto à provisão dos direitos fundamentais das
crianças e adolescentes por parte do Estado- como educação, lazer e
cultura-, quanto à adoção de medidas socioeducativas de ressocialização
para os jovens que já cometeram infrações.
O senador Demóstenes Torres concordou com a senadora quanto à
necessidade da adoção de medidas por parte do Estado que criem
oportunidades para os jovens, mas defendeu que elas sejam tomadas
juntamente com a redução da maioridade penal para 16 anos, nos casos de
crimes hediondos, tortura e tráfico de drogas. Segundo ele, essa é a
forma de dar uma resposta às famílias das vítimas desses crimes.
Patrícia Saboya discordou do senador com duas argumentações. Para ela, é
necessário que, primeiro, as políticas sociais estabelecidas no ECA
sejam colocadas em prática para que se observe se serão capazes de
reduzir a violência, como se espera. Por outro lado, não se pode
simplesmente arbitrar a idade mínima de 16 anos para responsabilizar
penalmente o adolescente porque não existem estudos que sustentem essa
escolha. “A idade de 18 anos foi estabelecida após estudos de
especialistas e adotada no Brasil a partir dos parâmetros da Convenção
dos Direitos da Criança, da ONU, que considera os menores de 18 anos
ainda em fase de desenvolvimento”, informou a senadora. “E os 16? Quem
escolheu essa idade? Reduzir a maioridade penal para esta idade só vai
fazer com que um número cada vez maior de crianças de 15, 14 e até 12
anos sejam usadas para cometer crimes”, alegou.
Condições de internação
Perguntado por Bruno, de Belo Horizonte, de 16 anos, se o adolescente
infrator ficará separado do adulto, caso a redução venha a ser aprovada,
Demóstenes Torres afirmou que existe um projeto do senador Aloísio
Mercadante (PT-SP) prevendo a separação de detentos por tipo de crime
cometido. Afirmando que “o governo se escuda em sua própria
incompetência”, Demóstenes, no entanto, reconheceu que o sistema
prisional brasileiro “não tem condições de receber mais ninguém”. A
senadora Patrícia aproveitou para lembrar que, de acordo com um estudo
do Ipea, 71% das unidades de internação de adolescentes infratores não
são adequadas às condições exigidas pelo ECA.
“A gente está pagando. A gente cometeu um crime. Será que vai adiantar
abaixar a maioridade?”, perguntou a certa altura do debate um dos
adolescentes infratores que está cumprindo medidas socioeducativas.
“Você é a melhor resposta para mim”, respondeu Patrícia Saboya. “Mostra
que os jovens têm que ser punidos, sim, pelos crimes que cometeram, mas
com ressocialização. Com a esperança de que vai se tornar um adulto que
tenha consciência do erro que cometeu”, acrescentou.
A
senadora Patrícia concluiu sua participação afirmando que seu temor é
que a aprovação da maioridade penal pelo Congresso Nacional leve a uma
inércia por parte das autoridades que deveriam estar cumprindo a
legislação que já existe. E fez questão de ressaltar que não defende a
impunidade. “Eu não vou visitar e dar beijinho em um menino que estuprou
e matou. Mas eu também não vou dizer: ‘Esse menino está morto’. Eles vão
continuar fazendo isso se o Estado não intervier, não der
oportunidades”.
O projeto que prevê a redução da maioridade penal para 16 anos está
previsto para ser votado na semana que vem na Comissão de Constituição,
Justiça e Cidadania do Senado.
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