![]() Brasília, 11 de abril de - nº. 62 |
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Parlamentares, integrantes de organismos internacionais e representantes da sociedade civil debateram nesta terça-feira, 10 de abril, em audiência pública no Senado Federal, questões relacionadas à juventude e à violência, entre elas a redução da maioridade penal e a implementação de políticas públicas para os adolescentes em conflito com a lei. O evento, promovido pela Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente em parceria com o Fórum Nacional de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Fórum DCA) e o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), ocorreu na data escolhida pelos movimentos sociais para ser o Dia Nacional de Mobilização contra a Redução da Maioridade Penal. A senadora Fátima Cleide (PT-RO) conduziu as discussões, que contaram ainda com as presenças das deputadas Manuela D'Ávila (PCdoB-RS), Maria do Carmo Lara (PT-MG), Lídice da Mata (PSB-BA) e Maria do Rosário (PT-RS), coordenadora da Frente na Câmara. Participaram do debate, como expositores, Karyna Sposato, do Instituto Latino-Americano das Nações Unidas para a Prevenção do Delito e Tratamento do Delinqüente (Ilanud); Mário Volpi, oficial de projetos do Unicef; Carmem Oliveira, subsecretária da Criança e do Adolescente do governo federal; Tiana Santo-Sé, secretária nacional do Fórum DCA, Carlos Nicodemos, da ONG Projeto Legal, do Rio de Janeiro e assessor do Fórum DCA; e Fernanda Maria Matheus, jovem militante da ONG Força Ativa, de São Paulo.
Carmem
Oliveira, subsecretária da Criança e do Adolescente, apresentou o
Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase), projeto que
prevê - entre várias ações - a qualificação do profissional carcerário,
a priorização das medidas em meio aberto (como a liberdade assistida ou
a prestação de serviços à comunidade), a criação de um plano individual
de atendimento a cada adolescente infrator e a reforma das unidades de
detenção, que passariam a abrigar no máximo 90 adolescentes. Para
regulamentar o Sinase, foi elaborado o Projeto de Lei de Execução de
Medidas Socioeducativas, que se encontra na Casa Civil e até o momento
não foi enviado ao Congresso para análise. Carmem Oliveira apontou ainda
para a decadência dos centros de detenção juvenis, conhecidos como
Febens, e afirmou que existe uma “cultura da prisionalização” no Brasil,
privilegiando o encarceramento em detrimento da semiliberdade. O depoimento mais forte ficou por conta de Fernanda Matheus, jovem da ONG Força Ativa, que leu um manifesto produzido por ela em que explicita as diversas formas de violência a que os adolescentes brasileiros são submetidos diariamente. “Violência é estudar em um local que mais parece uma prisão cheia de grades, cadeados e portões. É estar no Ensino Fundamental e passar de ano sem saber ler e escrever. É terminar o Ensino Médio sem ter a perspectiva de entrar na faculdade. Violência é saber que a classe média tem plano de saúde e hospital particular enquanto nós temos um postinho zoado que, para marcar consulta, é um sufoco – isso quando tem médico, isso quando não andamos vários quilômetros e morremos na fila por falta de atendimento e por doenças que têm cura. Violência é saber que o playboy de porcelana é adolescente enquanto o menino da periferia de aço é menor, é marginalzinho, é bandido. Violência é ver os programas de culinária e saber que nunca vamos ter acesso àquelas comidas. Violência é saber que milhares de pessoas morrem todos os dias na periferia, seja por doenças que têm cura, seja por mortalidade infantil, por displicência médica, por homicídio, de fome, de frio, mas só vira crime hediondo, terrível, horrendo quando morre um da classe média”, protestou Fernanda, arrancando aplausos entusiasmados da platéia.
Câmara aprova regulamentação do
Fundeb e inclui creches comunitárias A Câmara
aprovou na noite da terça-feira, 10 de abril, a Medida Provisória
339/06, que regulamenta o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da
Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb),
criado pela Emenda Constitucional 53 em substituição ao Fundef. A
matéria ainda será votada pelo Senado. (Com
informações da Agência Câmara) |
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