Fotos: Romero Cruz | Danilo Ramos
Ainda há muito a ser feito para a Lei da Escuta Protegida
sair efetivamente do papel e as empresas podem apoiar – e
muito – iniciativas neste sentido.
Uma das prioridades de advocacy da Childhood Brasil, a Lei da Escuta Protegida (Lei Federal 13.431/2017) é uma conquista na proteção dos direitos de crianças e adolescentes, por estabelecer um sistema de garantia de direitos de vítimas e testemunhas de violência. Mas ainda há muito a ser feito para ela sair efetivamente do papel e ser implementada em todos os municípios brasileiros, assegurando o atendimento integrado de meninas e meninos. As empresas podem apoiar – e muito - iniciativas neste sentido.
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“Ao promoverem a Lei de Escuta Protegida, as empresas colaboram para dar dignidade ao atendimento de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual. Como trata do segredo de justiça e, também, busca evitar a revitimização nos serviços de atendimento, na saúde, na educação e na assistência, ela também é uma forma de proteção”, afirmou Itamar Gonçalves, Gerente de Advocacy da Childhood Brasil, no Painel “A Escuta Protegida de Crianças e Adolescentes: O que podemos fazer?”, durante o 16º Encontro Anual Na Mão Certa.
Segundo ele, crianças e adolescentes chegam a fazer até nove relatos sobre a violência sofrida, muitas vezes em ambientes inadequados e para profissionais sem capacitação para atuar em casos de violência, por isto, com frequência acabam desistindo do processo para não reviverem o sofrimento. Por sua vez, a Lei 13.431 inova, ao estabelecer mecanismos e princípios de integração das políticas de atendimento às vítimas e testemunhas de violências, buscando integrar os serviços, estabelecer fluxos e protocolos de atendimento integrado e implantar sistemas de gestão dos casos de violência.
Além disto, crianças e adolescentes são beneficiados pelo Depoimento Especial e fazem um único relato que, gravado, passa a ser utilizado em todo o processo. Isto dá agilidade ao processo, garante mais proteção e mostra às vítimas que denunciar vale a pena. “Assim, a implementação da lei é um desafio que vale a pena, pois pode mudar a cultura do atendimento de crianças e adolescentes”, opina Itamar.
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Reforçando a mensagem do Gerente de Advocacy da Childhood Brasil, Daniele Paulo, Coordenadora de Projetos da Fundação André e Lúcia Maggi (FALM), apresentou o case realizado pela instituição em Itacoatiara (AM), um exemplo com potencial de inspirar empresas parceiras do Programa Na Mão Certa a fortalecer a Lei da Escuta Protegida nos municípios nos quais atuam.
A FALM, organização responsável pelo investimento social privado da AMAGGI, maior empresa brasileira de produção de grãos e fibras, desenvolveu todo o processo a partir do Comunidade Na Mão Certa - Comunidades e Rede de Proteção (CRP), que reúne empresas mantenedoras. O case nasceu das metas deste grupo e mostra como é possível tirar a lei do papel, e estar em alinhamento às estratégias ESG e aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Organização das Nações Unidas (ONU).
Conheça, a seguir, como esta Boa Prática está se desenvolvendo.
Comunidade e Rede de
Proteção A FALM e a AMAGGI vêm somando esforços no apoio a ações de assistência social para a comunidade de Itacoatiara (AM), contribuindo para o fortalecimento dos conselhos municipais, das organizações sociais e da rede de proteção local. Além disso, a FALM vem implementando diversas ações que visam ao enfrentamento das violências contra crianças e adolescentes no município, com foco na elaboração e implementação de fluxos e protocolo de atendimento, com base na lei 13.431/2017- de Escuta Especializada. ✔ 2018 - Escolha
pela FALM do município de Itacoatiara para
atuação, após levantamento de dados para
ranqueamento dos principais municípios com
atuação da AMAGGI, e estabelecimento do marco zero
para a prevenção e enfrentamento da violência
sexual de crianças e adolescentes. - Promover espaço
de diálogo e construção coletiva para os
atores sociais da rede, com foco na elaboração de
fluxos e procedimentos operacionais padrão, para atender
crianças e adolescentes vítimas de violências. |
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Assista ao Painel sobre Escuta Protegida